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O Papai Noel

(Marlene B. Cerviglieri)



Era época de Natal e as ruas estavam movimentadas, as lojas com suas vitrines todas enfeitadas, esperando o Natal. As crianças passavam pelas lojas e ficavam admiradas de ver tantos brinquedos, tantas coisas lindas.Todos se encantavam até os adultos.É porque adulto também ganha presente do Papai Noel. Naquele dia Julio estava um pouco cansado, pois tinha estudado bastante era fim de ano, precisava terminar com boas notas. Nesta época além de estudar ele fazia um curso de marcenaria. Julio tinha uma habilidade fora do comum, sabia montar cadeiras, armários e muitas coisas mais. Sendo assim seu pai achou que seria interessante que ele fosse aprender com um marceneiro da cidade. Naquele dia apesar de estar cansado foi para a marcenaria e lá chegando viu o Sr. Jose o marceneiro aprontando um monte de cadeirinhas. Perguntou então: - Porque está fazendo tantas cadeirinhas? E o Sr. Jose respondeu: - Faz parte da mobília que estou montando. Já fiz as camas , as cômodas e agora faltam as cadeirinhas. - O senhor vende para as lojas ? - Não, eu não vendo. Eu dou para o Papai Noel, e ele entrega para as crianças de presente! - Nossa! Sua idéia é muito legal. Será que também posso fazer alguma coisa? - Claro! A gente sempre pode ajudar. - Então eu poderia fazer algumas mesinhas. Posso até desenhá-las. - Vou arrumar madeira para você meu garoto, e pode já começar o trabalho. Julio trabalhou bastante e o Sr. José também. Envernizaram e pintaram toda a mobília. Ficou uma gracinha mesmo. Trabalharam até tarde para entregar tudo ao Papai Noel. - Sr.Jose, o Papai Noel virá até aqui buscar? - Não meu caro Julio. Eu mesmo vou levar até ele. Que pena, pois gostaria de conhecê-lo. - Então ele não virá aqui? - Não. Como já disse levarei até ele. Julio esqueceu do assunto e foi para casa. Depois de ter trabalhado muito e ter feito um monte de mesinhas, cadeirinhas, caminhas, finalmente chegaram ao fim. A próxima semana já seria Natal. Na escola a professora pediu para que todos escrevessem uma cartinha para o Papai Noel. Julio pensou, pensou... - O que vou escrever para o Papai Noel? Ai de repente veio a idéia: " Caro Papai Noel Sou um menino ainda, mas gosto muito de trabalhar com madeira. Hoje terminei todas as mesinhas, que o Sr Jose o marceneiro que me ensina,irá levar para o senhor. Gostaria de lhe pedir o favor de distribuir todas as mobílias para as menininhas, principalmente aquelas que não tem muitos brinquedos. Porque, aquelas que têm muita coisa, não vão se importar com simples mobílias feitas de madeirinhas. Papai Noel, para mim não precisa trazer nada, já tenho tantos brinquedos. Eu ficando com a minha bicicleta para ir até a escola e a marcenaria, já está muito bom. Portanto vou colocar todos os meus brinquedos dentro de um saco. Como não sei onde encontrá-lo, vou entregar ao Sr José para que ele leve até o senhor. Por favor, distribua para todos aqueles que lhe pediram um brinquedinho, pois assim ninguém ficará sem receber nada. Assinado Julio" Entregou a carta para a professora. Esta colocou num envelope e despachou para o Papai Noel. Este recebeu todas as cartas e também o saco de brinquedos do Julio. No dia de Natal quando ele levantou e foi abraçar os pais, teve uma grande surpresa! Encontrou na sala, uma maleta com todas as ferramentas para poder trabalhar em suas madeiras. - Mas eu não pedi nada para o Papai Noel! Dentro da caixa havia um bilhete: “Para um menino caridoso, Um menino bondoso e merecedor. Faça muitos brinquedos que entregarei sempre para todas as crianças. Assinado: Papai Noel” Julio cresceu fazendo brinquedos e hoje, já adulto, tem uma grande fabrica de brinquedos, mas nunca esquece de enviar um saco cheio deles para o Papai Noel distribuir. Como vocês vêem é dando que se recebe. Praticar o bem, mesmo para quem não se conhece. Feliz natal amiguinhos Feliz natal para todos!


A Margarida que queria ser Rosa

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Naquele jardim, todos os dias eram assim: as roseiras acordavam, abriam bem devagarinho as pétalas das rosas, uma a uma, e se espreguiçavam. De repente se sacudiam contentes e então apareciam inteirinhas, tão bonitas as rosas!
E todas as outras flores, todas as plantinhas, até aquele matinho que crescia tão feinho encostado no muro de pedra, todos diziam: Mas que cheirinho bom!!!
E a lagarta engraçada, que anda com andar de sanfona, também dizia ( e a voz dela era de sanfona desafinada): Mas que cheirinho bom!!! E a formiguinha? Passava muito depressa, sempre trabalhando, carregando uma folha bem maior do que ela. Empinava o narizinho, cheirava o ar e falava bem fininho e depressinha: Mas que cheirinho bom!!!
E aparecia a menininha bonita que ia pra escola toda arrumadinha, uma fita prendendo o cabelo num rabo de cavalo, de mãos dados com o irmãozinho. Era a Luana, e o irmão era o Quito.
Quando passavam pelo jardim, diziam ao mesmo tempo: Mas que cheirinho bom!!!
Pois é, mas não pense que tudo e todos estavam contentes, não.
As margaridas... ah, elas também moravam no jardim, em uma “margarideira” que ficava um pouco distante das roseiras.
Elas achavam as rosas lindas com aquela cor quase vermelha e aquele perfume. Mas que cheirinho bom!!! E as margaridas eram brancas com o miolo amarelo. E não gostavam do amarelo!
- Ah, eu sou feia, e ainda por cima tenho esse miolo amarelo! Detesto amarelo!
Falavam sozinhas, às vezes com a formiguinha.
Mais tristes ainda ficavam quando viam a Luana parar perto da roseira, encostar o narizinho arrebitado em uma rosa e dizer pro Quito:
Vamos levar uma rosa pra mamãe?
Um dia, uma das margaridas pediu à lagarta:
- Lagarta, você pode me levar lá pra bem perto da roseira? Eu quero virar rosa, ficar cheirosa e bonita também.
- Ah, é melhor você pedir pra minhoca , ela é quem sabe fazer o caminho pela terra. Eu só ando pelas plantas pra comer as folhinhas.
Piscou os olhos e foi andando, esticando e encolhendo o corpo. Mas a minhoca foi logo dizendo:
- Eu não tenho força pra carregar você, meu corpo é muito mole!
E a margarida pedia pra todo mundo. Ela queria mesmo virar rosa!
Até que um dia passou pelo jardim uma menina gorducha, a Maíra. Viu a margarida e disse pra sua boneca:
Mas que florzinha bonita! Tão branquinha, aquele redondinho que ela tem no meio parece um sol cheio de raios! Vou levar pra mamãe, vou fazer um buquê pra ela. E que bom que essa não tem perfume, a mamãe tem alergia! E quando essa flor ficar velha no jarro eu posso brincar assim, ó! E pegou uma margarida já meio murcha e foi tirando as pétalas dela, enquanto dizia: mal me quer (arrancava uma), bem me quer (arrancava outra). Até que só ficou uma pétala no galho e ela gritou bem alto: Bem me quer!!! E toda contente deu um beijo na boneca que ela gostava tanto – Viu, Bilu, você gosta de mim como eu de você!
E então a margarida ouviu a roseira falando:
Ah, eu queria ser margarida... Nenhuma menininha gosta das minhas rosas pra brincar!!!
E agora, quando a roseira vai acordando com todas as rosas se espreguiçando e todos dizendo mas que cheirinho bom!! – a margarida ri e diz baixinho, toda prosa: E que florzinha boa pra enfeitar e brincar!!!


A Borboleta Apressada

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Morava numa floresta grande, uma borboleta azul muito linda.
Seu corpinho era todo azul e em suas asinhas havia uns pontinhos pretos.
Era especial e sabia muito bem disso.
Toda vez que passava voando, outras borboletas paravam para vê-la.
Sentia-se muito importante sendo portadora de tanta beleza.
Porem como ninguém é perfeito,
a borboleta azul era muito muito apressada.
Estava sempre voando de um lado para outro,
mesmo que fosse sem ter o que fazer. Seus amigos diziam para ela ter mais cuidado,
porem era mesmo uma apressada. Certo dia resolveu voar para mais longe.
Ah, dizia:
-Estou cansada de ficar só nesta floresta.
Pensou assim e partiu em direção a cidade.
Chegando lá, viu uma enorme casa toda iluminada.
Imediatamente foi atraída pelas luzes das vidraças.
Não conhecia nada, pois nunca havia visto uma casa.
Lá foi ela em direção à janela que não estava aberta,
era uma grande vidraça.
Pum... Bateu com o corpinho inteiro na janela!
Suas asinhas ficaram grudadas e ela não conseguia sair!
Meu Deus que fazer, pensava a borboleta azul.
Foi quando resolveu respirar devagar
e prestar atenção para ver o que faria.
Não fique assustada pensava.
Olhando para dentro da casa viu um grupo de crianças
sentadas no chão, num imenso tapete redondo.
Ora, que estariam fazendo?
Brincando naturalmente.
Foi quando um dos meninos levantou-se e saiu correndo na sala.
Não corra disse uma senhora que estava sentada lá também.
Não deu tempo o menino espatifou-se
no chão igualzinha a borboleta na vidraça...
A pressa, o que é a pressa?
Dizia a senhora atendendo o menino.
Você tem que aprender a fazer as coisas mais devagar,
não há necessidade de sair correndo,
de chegar primeiro de falar antes...
Tudo isto é pressa demais!.
Às vezes sei que precisamos nos apressar, mas não é sempre.
Limpou o raspão do joelho do menino
que voltou a sentar com os colegas bem mais calmos agora.
E eu pensava a borboleta que faço?
Quem me ajuda?
Foi quando pensou em ficar quietinha e ai
então as asinhas começaram a se soltar do vidro.
Assim mesmo esperou mais um pouco até que percebeu
que podia se mexer por inteira.
Saiu voando rapidinho para a floresta e acho que a lição valeu,
tanto para ela como para o menino.
É dizia minha vovó,
quem tem pressa, perde a testa!