O Papai Noel
(Marlene B. Cerviglieri)
A Margarida que queria ser Rosa
Naquele jardim, todos os dias eram assim: as roseiras acordavam, abriam bem devagarinho as pétalas das rosas, uma a uma, e se espreguiçavam. De repente se sacudiam contentes e então apareciam inteirinhas, tão bonitas as rosas!
A Borboleta Apressada
Morava numa floresta grande, uma borboleta azul muito linda.
E todas as outras flores, todas as plantinhas, até aquele matinho que crescia tão feinho encostado no muro de pedra, todos diziam: Mas que cheirinho bom!!!
E a lagarta engraçada, que anda com andar de sanfona, também dizia ( e a voz dela era de sanfona desafinada): Mas que cheirinho bom!!! E a formiguinha? Passava muito depressa, sempre trabalhando, carregando uma folha bem maior do que ela. Empinava o narizinho, cheirava o ar e falava bem fininho e depressinha: Mas que cheirinho bom!!!
E aparecia a menininha bonita que ia pra escola toda arrumadinha, uma fita prendendo o cabelo num rabo de cavalo, de mãos dados com o irmãozinho. Era a Luana, e o irmão era o Quito.
Quando passavam pelo jardim, diziam ao mesmo tempo: Mas que cheirinho bom!!!
Pois é, mas não pense que tudo e todos estavam contentes, não.
As margaridas... ah, elas também moravam no jardim, em uma “margarideira” que ficava um pouco distante das roseiras.
Elas achavam as rosas lindas com aquela cor quase vermelha e aquele perfume. Mas que cheirinho bom!!! E as margaridas eram brancas com o miolo amarelo. E não gostavam do amarelo!
- Ah, eu sou feia, e ainda por cima tenho esse miolo amarelo! Detesto amarelo!
Falavam sozinhas, às vezes com a formiguinha.
Mais tristes ainda ficavam quando viam a Luana parar perto da roseira, encostar o narizinho arrebitado em uma rosa e dizer pro Quito:
Vamos levar uma rosa pra mamãe?
Um dia, uma das margaridas pediu à lagarta:
- Lagarta, você pode me levar lá pra bem perto da roseira? Eu quero virar rosa, ficar cheirosa e bonita também.
- Ah, é melhor você pedir pra minhoca , ela é quem sabe fazer o caminho pela terra. Eu só ando pelas plantas pra comer as folhinhas.
Piscou os olhos e foi andando, esticando e encolhendo o corpo. Mas a minhoca foi logo dizendo:
- Eu não tenho força pra carregar você, meu corpo é muito mole!
E a margarida pedia pra todo mundo. Ela queria mesmo virar rosa!
Até que um dia passou pelo jardim uma menina gorducha, a Maíra. Viu a margarida e disse pra sua boneca:
Mas que florzinha bonita! Tão branquinha, aquele redondinho que ela tem no meio parece um sol cheio de raios! Vou levar pra mamãe, vou fazer um buquê pra ela. E que bom que essa não tem perfume, a mamãe tem alergia! E quando essa flor ficar velha no jarro eu posso brincar assim, ó! E pegou uma margarida já meio murcha e foi tirando as pétalas dela, enquanto dizia: mal me quer (arrancava uma), bem me quer (arrancava outra). Até que só ficou uma pétala no galho e ela gritou bem alto: Bem me quer!!! E toda contente deu um beijo na boneca que ela gostava tanto – Viu, Bilu, você gosta de mim como eu de você!
E então a margarida ouviu a roseira falando:
Ah, eu queria ser margarida... Nenhuma menininha gosta das minhas rosas pra brincar!!!
E agora, quando a roseira vai acordando com todas as rosas se espreguiçando e todos dizendo mas que cheirinho bom!! – a margarida ri e diz baixinho, toda prosa: E que florzinha boa pra enfeitar e brincar!!!
Seu corpinho era todo azul e em suas asinhas havia uns pontinhos pretos.
Era especial e sabia muito bem disso.
Toda vez que passava voando, outras borboletas paravam para vê-la.
Sentia-se muito importante sendo portadora de tanta beleza.
Porem como ninguém é perfeito,
a borboleta azul era muito muito apressada.
Estava sempre voando de um lado para outro,
mesmo que fosse sem ter o que fazer.
Seus amigos diziam para ela ter mais cuidado,
porem era mesmo uma apressada.
Certo dia resolveu voar para mais longe.
Ah, dizia:
-Estou cansada de ficar só nesta floresta.
Pensou assim e partiu em direção a cidade.
Chegando lá, viu uma enorme casa toda iluminada.
Imediatamente foi atraída pelas luzes das vidraças.
Não conhecia nada, pois nunca havia visto uma casa.
Lá foi ela em direção à janela que não estava aberta,
era uma grande vidraça.
Pum... Bateu com o corpinho inteiro na janela!
Suas asinhas ficaram grudadas e ela não conseguia sair!
Meu Deus que fazer, pensava a borboleta azul.
Foi quando resolveu respirar devagar
e prestar atenção para ver o que faria.
Não fique assustada pensava.
Olhando para dentro da casa viu um grupo de crianças
sentadas no chão, num imenso tapete redondo.
Ora, que estariam fazendo?
Brincando naturalmente.
Foi quando um dos meninos levantou-se e saiu correndo na sala.
Não corra disse uma senhora que estava sentada lá também.
Não deu tempo o menino espatifou-se
no chão igualzinha a borboleta na vidraça...
A pressa, o que é a pressa?
Dizia a senhora atendendo o menino.
Você tem que aprender a fazer as coisas mais devagar,
não há necessidade de sair correndo,
de chegar primeiro de falar antes...
Tudo isto é pressa demais!.
Às vezes sei que precisamos nos apressar, mas não é sempre.
Limpou o raspão do joelho do menino
que voltou a sentar com os colegas bem mais calmos agora.
E eu pensava a borboleta que faço?
Quem me ajuda?
Foi quando pensou em ficar quietinha e ai
então as asinhas começaram a se soltar do vidro.
Assim mesmo esperou mais um pouco até que percebeu
que podia se mexer por inteira.
Saiu voando rapidinho para a floresta e acho que a lição valeu,
tanto para ela como para o menino.
É dizia minha vovó,
quem tem pressa, perde a testa!